Canon, Sony, Nikon, Fujifilm: O que os sinais financeiros mais recentes dizem sobre o mercado de câmeras


Os sinais financeiros mais recentes das grandes empresas japonesas de imagem sugerem que a indústria de câmeras dedicadas não está colapsando. No entanto, desafios reais permanecem, e as quatro gigantes enfrentam futuros imediatos bem diferentes.

Com os dados financeiros mais recentes de Canon, Sony, Nikon e Fujifilm agora públicos, vale analisar os números e entender o que eles indicam sobre o futuro. O cenário que surge é bastante desigual.


Canon: Dinheiro com câmeras

A Canon detalhou seu novo plano de reestruturação Fase VII, no qual a divisão de imagem — incluindo câmeras — é vista como um gerador de receita estável que pode financiar crescimento em outras áreas.

A empresa espera que a receita de imagem cresça de cerca de US$ 6,8 bi em 2025 para US$ 8,6 bi até 2030. Um crescimento anual de cerca de 4% pode parecer modesto, mas considerando o impacto dos smartphones no setor, é praticamente uma vitória.

A Canon acredita que o colapso do mercado causado pelos smartphones finalmente estabilizou, e que novos criadores de vídeo impulsionarão a demanda. Também prevê forte crescimento em “câmeras de rede” (principalmente sistemas de vigilância), acima de 10% ao ano.


Por outro lado, a empresa espera que incertezas políticas e econômicas continuem devido a tarifas adicionais dos EUA e riscos geopolíticos.


Sony: Segura e estável

Um ponto interessante nos resultados da Sony é a menção à atual escassez de memória:

“Estamos quase em posição de garantir a quantidade necessária de memórias até a temporada de vendas do final do próximo ano fiscal.”

Sony

A escassez de memória de alta velocidade é um obstáculo para o setor, mas a Sony parece estar mais protegida que outras empresas. Ela não separa os dados de câmeras de forma tão detalhada, mas a impressão geral é de que o segmento é estável e confiável, refletindo um mercado global de câmeras mais maduro.

A Sony também é naturalmente protegida por seu enorme ecossistema de imagem e pelo fato de fabricar sensores para muitos smartphones premium.

A empresa afirma que a demanda global por câmeras com lentes intercambiáveis permaneceu forte no terceiro trimestre do ano fiscal de 2025, especialmente na Ásia. Também destacou o Sony a7 V, dizendo que o modelo está vendendo bem e deve continuar contribuindo para as vendas.


Nikon: Dependência excessiva?

A Nikon não vive um bom momento. A empresa reportou perdas de cerca de US$ 668 milhões e reduziu previsões em meio à queda de receita e aumento de custos. A divisão de imagem ainda é lucrativa, mas enfrenta pressão de vendas, competição de preços e custos de marketing que reduzem margens.

Diferente da Sony, a Nikon não é tão diversificada — a divisão de imagem representa quase metade de sua receita total — o que torna a situação mais delicada.

A empresa afirmou que as vendas foram lideradas pela sua primeira câmera de cinema digital, a Nikon ZR, mas ainda assim houve queda anual em receita e lucro devido a:

  • redução no preço médio de venda
  • aumento de despesas promocionais
  • ambiente competitivo mais intenso
  • efeitos cambiais e tarifas

A Nikon também reduziu previsões de envio de câmeras e lentes, indicando demanda em desaceleração. Dado o grande número de lançamentos recentes, a estagnação nas vendas é preocupante.


Fujifilm: Lucros recordes

A Fujifilm é o grande ponto fora da curva, registrando receita e lucro recordes, impulsionados principalmente pelos segmentos de eletrônicos e imagem.

Na área de imagem, houve crescimento de 14,6% na receita de 2025 em relação a 2024, chegando a US$ 1,3 bi.
O segmento profissional cresceu 20,8%, superando o crescimento de 11,3% no segmento consumidor.

A empresa atribui isso ao forte desempenho da linha instax (agora também com vídeo).
No segmento de câmeras, destaca vendas robustas das séries X e GFX, especialmente dos novos modelos:

  • GFX100RF
  • X-H? (provavelmente X-H2 ou X-H2S, conforme o texto original)
  • X-E5
  • X-T30 III

A estratégia híbrida da Fujifilm — combinando câmeras mirrorless premium, médio formato e o lucrativo ecossistema instax — parece estar funcionando.

Atualmente, é a única grande fabricante com crescimento claro, enquanto as demais mostram estabilização ou retração. Será interessante observar se esse ritmo continua em 2026 e se outras empresas conseguem seguir o mesmo caminho, especialmente agora que o mercado de câmeras digitais — e compactas — começa a se expandir pela primeira vez desde a pandemia.


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